Origens
Encontramo-nos muitos séculos atrás, no
deserto das
Arábias, onde a variação de temperatura
durante as
vinte e quatro horas do dia tem como pontos máximos
o
calor do sol, que pode chegar a 50 graus, e o frio
causticante da noite que vai aos 5 graus negativos.
O vento é impiedoso e carrega as areias, ameaçando
com
a falta de água e pouco alimento.
Os clãs preservam seus territórios, suas
mulheres,
seus filhos e seus animais. Dentre esses últimos,
o
mais importante é o cavalo, pois é este
que vai ser
responsável pelo transporte através das
dunas de
areias até os locais seguros, com vegetação
e água. É
também o cavalo que servirá como arma
de guerra, já
que a lei entre os homens é a de sobreviver a
qualquer
custo e as guerras entre diferentes tribos de beduínos
são freqüentemente praticadas para se obter
o melhor
local de moradia.
O cavalo deve ser veloz, inteligente e resistir ao
tempo inclemente. Para o beduíno, ele se torna
um
tesouro inestimável e divide com as famílias,
as
tendas que as abrigam. É ele que, muitas vezes,
alertará as sentinelas de um ataque iminente.
A
seleção é feita naturalmente: aqueles
que não se
adaptam são descartados.
É nessas situações adversas que
o cavalo Árabe
torna-se extremamente resistente e versátil.
Potencial
Por sua característica de resistência,
o cavalo Árabe
é ótimo para a realização
de enduros, conforme
comprovam os resultados das diversas provas efetuadas
até hoje em todo o mundo.
É raçador por excelência.
Sua velocidade e forma compacta o tornam extremamente
competitivo nas provas de tambor e baliza, bem como
no
hipismo rural.
Sua inteligência e percepção, aliadas
aos seus outros
dotes, o tornam apto para o trabalho com trilhas, laço
e apartação. Embora não muito freqüente
no Brasil, é
também utilizado no exterior para o dressage
(adestramento) e o hunter pleasure.
Disseminação
Se as guerras funcionaram como fator determinante para
o aprimoramento da raça, também foram
elas e as
conquistas que permitiram a disseminação
do cavalo
Árabe por todo o mundo. Os primeiros contatos
dos
ocidentais com os cavalos dessa raça ocorreram
na
época das Cruzadas, quando das batalhas religiosas
pelo domínio e conversão do mundo Árabe.
Durante os confrontos entre os árabes montados
em seus
cavalos ágeis e leves e os cruzados nas suas
montarias
lentas e pesadas, os primeiros sempre levavam
vantagem, o que fazia com que os guerreiros ocidentais
cobiçassem o sangue deste animal. Os governantes
de
vários outros povos passam a considerar imprescindível
ter o cavalo Árabe servindo seus guerreiros,
e este é
contrabandeado como mercadoria de excepcional valor.
Mais tarde, estabelecidas as relações
comerciais entre
esses povos, o cavalo Árabe é transportado
para vários
países da Europa, porém nunca deixando
de ser
considerado um objeto de prestígio. Reis e rainhas
eram presenteados com os melhores espécimes.
Alguns países se dedicaram à preservação
da raça, como
o Egito, a Polônia, a Rússia, a Espanha,
a Inglaterra
e, mais tarde, os Estados Unidos. Essas são as
linhagens que perduram até hoje, porém,
o sangue do
cavalo Árabe também serviu como base para
a formação
de outras raças mais novas de cavalos, como o
puro
sangue inglês, o andaluz, o quarto de milha, o
anglo-árabe, o morgan, o hanoveriano, o lipizzaner,
entre muitos outros.
Brasil
Os primeiros cavalos da raça Árabe importados
para o
Brasil aqui chegaram na década de 20, vindos
principalmente do Uruguai.
Um acompanhamento mais constante e documentado do
desenvolvimento da raça entre nós estabeleceu-se
oficialmente com a formação da Associação
Brasileira
dos Criadores de Cavalo Árabe em meados dos anos
60,
num esforço dos pioneiros e incentivadores da
raça.
Hoje existe no Brasil o registro de um número
de
cavalos Árabe próximo a 40.000 e a raça
continua a se
expandir, sendo considerada uma das melhores do mundo
em qualidade.
Tal fato se confirma com a numerosa exportação
de
animais da criação nacional, revertendo
um quadro que
era de importação até há
bem pouco tempo e também com
os resultados positivos de premiações
obtidos por
esses representantes nas exposições no
exterior.
Lenda
Conta a lenda que o beduíno árabe, que
vivia no
deserto, pediu a Alah um companheiro para dividir os
dias longos e as noites frias do deserto.
Alah compreendeu o anseio desse homem solitário
e
resolveu dar vida a um ser, símbolo da criação.
Ordenou que se imprimissem numa única criatura,
olhos
tão potentes quanto os da águia, faro
tão sensível
quanto o do lobo, a velocidade da pantera e a
resistência do camelo.
Acrescentou ainda a coragem do leão, a memória
privilegiada do falcão, a elegância do
andar da corsa
e a fidelidade do cão.
Alah chamou o Vento Sul e ordenou que ele soprasse
sobre um punhado de areia que estava em suas mãos.
Surgiu, então, o Cavalo Árabe para que
Alah fosse
sempre louvado.
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