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Enduro - Junho 2001 ::
Marininha tem 10 anos e é apaixonada por cavalos, especialmente pelo Árabe. Desde bebê, contam seus pais, quando via um cavalo, ela só sossegava enquanto estivesse montada. Marininha é hoje aluna dedicada de equitação e, ao ver toda a movimentação do ponto de chegada da turma da Copa Rio de Enduro Eqüestre em Itaipava, perguntou: "O que é enduro?"
A grande maioria das pessoas tem como referência os enduros e ralís motorizados, de carros ou motocicletas, e até de bicicletas, já que estes têm grandes patrocinadores e, portanto, divulgação maciça na mídia. A prova eqüestre não foge aos objetivos dessas outras competições: é um teste de resistência e realizada em terreno acidentado. Nela, cavalo e cavaleiro têm que demonstrar bom desempenho e o tempo é fator importante na classificação da dupla (ou conjunto, como se fala habitualmente).
Uma das grandes atrações desse esporte é o fato de que não há limite de idade para os cavaleiros - podem ser "de mamando a caducando". O resultado é que famílias inteiras participam do enduro, se não montando, pelo menos fazendo parte da equipe de apoio. Marininha não se lembra, mas enquanto seu pai competia numa prova em São Paulo há muitos anos atrás, ela estava lá dando apoio moral, dentro do treiler que teve uma parte transformada em berçário.
Esse esporte cresce em popularidade no mundo todo e aqui não é diferente: já se alcançou o número de 300 conjuntos numa prova, como informa Ricardo Carneiro Monteiro, diretor de Enduro da Federação Eqüestre do Estado do Rio de Janeiro, ele próprio um endurista premiado, em sua apostila sobre o assunto.
Para ser bem classificado numa competição dessas, o cavalo deve mostrar sempre bom estado físico, já que é examinado antes, durante e depois da prova. Um animal que faz um tempo de percurso ótimo pode perder para outro com tempo comparativamente pior se o primeiro demonstrar que foi muito forçado na sua capacidade. Esse princípio básico do respeito pela saúde do cavalo é um dos primores desse esporte eqüestre.
Todos aqueles que gostam de montar e querem ter o prazer de desafios devem fazer um enduro. Uma vez que o conjunto vai se aprimorando ele pode se inscrever em provas mais difíceis. Além disso, as trilhas demarcadas pelos organizadores são em locais nos quais a natureza é generosa em vegetação, pássaros, rios e pedras. No final de um dia de competição, é sempre fácil encontrar alguém que tenha uma boa história para contar e o ambiente de confraternização é constante. A programação é intensa em todo o Brasil e o endurista tem oportunidade de visitar dezenas de lugares ao se inscrever nas provas.
O cavalo Árabe tem se destacado nesse tipo de esporte pela sua reconhecida resistência. Estão sempre entre os primeiros colocados, sejam o Anglo-Árabe, o Cruza-Árabe ou o Puro. A Associação de Criadores dessa raça, a ABCCA, oferece prêmios em dinheiro para os melhores Árabes da Copa Rio de enduro, desde que sejam registrados.
Em breve ouviremos as histórias que Marininha, Morgana (embora esta prefira tambor e baliza), e quem sabe, Gabriel e Miguelito vão contar de suas proezas com o enduro.
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