Entrevista Abril 2000 - Revista Business Rural
Cavalo Árabe, criado no Brasil, um artigo de exportação
Os cavalos da raça Árabe foram
introduzidos no Brasil na década de 20,
quando ocorreram as primeiras importações,
vindas principalmente do Uruguai. De lá para
cá, os criadores brasileiros foram aprimorando
os cruzamentos, importando animais de grande qualidade,
a grande maioria dos Estados Unidos. O esforço
foi recompensado com o reconhecimento do produto brasileiro
como um dos melhores do mundo hoje em dia. No ano passado,
37 animais foram vendidos para o exterior. Ao chegar
na Europa, Argentina, no Uruguai, nos Estados Unidos
e no Canadá, muitos desses cavalos participaram
de exposições e alcançaram resultados
importantes para firmar o nome do nosso país
como produtor de alta qualidade.
O Haras Namahê, um criatório localizado
em Quatis, já tem três cavalos
exportados. São duas potrancas, uma na Itália,
a outra nos Estados Unidos, de proprietários
da África do Sul. Um potro, também nos
Estados Unidos, que foi para lá levado com apenas
sete meses de idade, um claro indício de possuir
qualidade inegável, já que é rara
a exportação de animais tão novos.
Os reprodutores do Haras Namahê
Os principais responsáveis pelos resultados
positivos do haras são dois
garanhões de nome Snowshill Ariseyn e Quartz
Ny. O primeiro é importado dos
Estados Unidos e foi comprado em 1992 após ter
se tornado campeão diversas vezes em sua terra
natal, tanto na competição de conformação
quanto na de cavalo montado. Ariseyn, nome pelo qual
é conhecido, começou a ter sua progênie
avaliada em 1994 e obteve 100 por cento de aproveitamento
na maior exposição da raça, a Nacional
do Cavalo Árabe, que acontece todos os finais
de ano, com o que há de melhor na criação
brasileira. Os quatro produtos, duas potras e dois potros,
arrebataram prêmios de Top Ten, ou seja, dez melhores.
Além disso, dois foram campeões. Foi apenas
o início de uma carreira vitoriosa, na qual a
progênie marcou forte presença com os títulos
de campeonatos diversos.
O segundo garanhão, Quartz Ny, já é
orgulhosamente um produto nacional,
filho de Ariseyn numa égua também brasileira,
Dark Rose Par. De pelagem negra, porte imponente e um
trote que arrebata suspiros da platéia, esse
potro de apenas 4 anos, chamou a atenção
de todos desde pequeno. Após uma carreira de
apresentação em pistas em que sempre teve
destaque, Quartz agora já tem seus próprios
filhos procurando espaço para premiações.
Utrillo Ny foi exportado para os Estados Unidos com
sete meses de idade, logo depois de ter se tornado Campeão
Potro ao Pé na prova de conformação
da última Exposição Nacional. O
resultado foi unânime entre os cinco juizes, dois
dos quais brasileiros, duas americanas e um australiano.
Na exposição americana realizada em Scottsdale
em fevereiro, Utrillo foi o primeiro na categoria de
potros da mesma idade. Um resultado que os proprietários
do Haras Namahê consideram importantíssimo
para a carreira, tanto do potro como do pai Quartz.
É um reconhecimento da qualidade de ambos que
só traz mais incentivo para continuar a apostar
na produção de Quartz.
A criação do Haras Namahê
Nancy e Claudio Hirsch começaram a criar em
1990, com uma pequena tropa, porém de qualidade,
baseada principalmente nas reprodutoras adquiridas do
plantel da tradicional Fazenda Fortaleza, de São
Paulo. Através de um trabalho de seleção,
identificaram as potencialidades de cada animal e os
produtos que obtiveram e transformaram cada um em matrizes,
cavalos de montaria para prazer ou competições,
e cavalos para exposições.
Três dos animais desse início se tornaram
campeões nas provas de enduro a cavalo, esporte
que vem crescendo muito entre os aficionados, não
só pelo prazer da disputa como também
pelo fator de aglutinação familiar, já
que dela podem participar a avó, o pai e os filhos.
A compra de Ariseyn e a produção que ele
gerou colocou o haras entre os dez melhores criatórios
do país, de acordo com o ranking feito pela ABCCA,
a associação que congrega os 1700 criadores
e usuários do cavalo da raça Árabe
no Brasil. O Namahê é o principal haras
dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo
há 7 anos.
Um Leilão na programação
O Haras Namahê vai realizar o seu primeiro leilão
de cavalos na noite de 10 de Maio 2000, no Clube Canaveral
da Barra da Tijuca. Claudio Hirsch avalia que está
na hora dos mercados carioca e fluminense conhecerem
melhor o potencial da raça Árabe e os
27 lotes que reuniu têm amostra para todos os
gostos.
Serão machos e fêmeas que podem ser utilizados
para montaria, tanto de lazer como de esporte, para
exposições, matrizes para a reprodução
e potrinhos. O Haras Resgate, que fica em Bananal, também
vai participar com um macho montado que está
sendo treinado para laço.
Os Haras Nirvana de Patí do Alferes e Vale do
Luar de São Paulo vão colocar a venda,
cada um, um macho montado, já premiados em pistas
de exposição. O Haras Vale Formoso de
São Paulo terá oito lotes variados.
O Namahê também vai leiloar coberturas
dos garanhões Ariseyn e Quartz. A organização
do leilão colocou o catálogo dos animais
na Internet como forma de divulgação e
espera-se que o remate tenha um bom público entre
os aficionados de cavalo em geral. Para facilitar as
contas dos interessados, já foi estabelecida
a forma de pagamento como sendo de 12 parcelas mensais
fixas, sem juros. Os vendedores também apostam
nas qualidades do cavalo Árabe para o esporte,
principalmente o enduro. "Há pessoas que
resistem ao trote do Árabe simplesmente para
passear, mas a relação força versus
capacidade dele é imbatível no enduro.
Basta olhar os resultados dessas provas e ver que os
primeiros colocados, invariavelmente, têm esse
sangue, seja puro ou cruzado",
diz Hirsch.
O potencial da raça Originário
do deserto, o cavalo da raça Árabe aprendeu
a suportar as variações de temperatura,
que vão do calor ao frio em períodos de
menos 24 horas. Esse animal foi o resultado da seleção
feita através dos tempos quando os guerreiros
das Arábias precisavam da rapidez desse animal
de lombo curto, compacto, quando estavam nas batalhas
contra os Cruzados Cristãos da Europa e nas lutas
que travavam entre as tribos locais diversas.
Os europeus perceberam a arma de guerra que o cavalo
dos árabes significava e começaram a levar
exemplares para casa. Os criatórios se disseminaram
na Inglaterra, na Polônia, na Espanha e na Rússia.
Os cavalos foram usados para melhorar as tropas desses
países e o poder de raçador do Árabe
foi desenvolvido.
A rusticidade foi mantida e esse cavalo pode ficar a
pasto sem problemas, exigindo apenas a cota de água,
sal mineral, o alimento verde e o espaço para
se exercitar.
Como distinguir um Cavalo Árabe
Lombo curto, pescoço arqueado como o de um
cisne, o rabo empinado quando
trota, resultado de ter uma vértebra a menos
do que os cavalos de outras
raças, o focinho com chanfro pronunciado, isto
é, na forma côncava, e mais o
trote elevado.
As pelagens são a alazã, com crina e rabo
variando de louro a marron, a castanha, com crina e
rabo pretos e a tordilha, com as diversas variações
entre o branco e o cinza.
A cor negra é rara e por isto mesmo bastante
valorizada.
A Associação de Criadores
A ABCCA, Associação Brasileira dos Criadores
de Cavalo Árabe, é o órgão
que regula as atividades dos proprietários, promove
exposições em todo o país, oferece
prêmios àqueles que se destacam e abriga
o Stud Book, do Ministério da Agricultura, para
efeito de registro e manutenção da saúde
dos plantéis brasileiro e paraguaio.
Os Estados são agrupados em núcleos e
organizam exposições da raça regionalmente.
Claudio Hirsch é vice-presidente do núcleo
do Rio de Janeiro e realiza todos os anos a mostra de
Árabes na festa agropecuária de Resende.
O fato da cidade se localizar perto de São Paulo,
que abriga o maior número de criatórios
do país, torna a festa muito importante no calendário
de eventos da raça.
As cidades de Campos, Macaé, Itaipava, Barra
do Piraí e Paraíba do Sul também
já tiveram representantes da raça em suas
exposições. "É um momento
de grande valia para o criador que tem a oportunidade
de mostrar sua produção, avaliar o resultado
que tem conseguido, divulgar o cavalo e, principalmente,
congraçar com os participantes das exposições
que criam outros animais", diz Hirsch.
O que é julgado numa exposição
As competições são
divididas em dois tipos de apresentação:
a de conformação e a de montaria. Os animais
são divididos por categorias de acordo com a
idade e entram em pista perante o juiz ou juizes para
a avaliação.
Nas provas de conformação, o cavalo deve
mostrar as características de aprumos perfeitos,
o lombo curto e reto, a garupa bem desenvolvida, o pescoço
longo e na "forma de cisne", a cabeça
pequena com o chanfro pronunciado, olhos grandes, orelhas
pequenas e bem implantadas, e as narinas destacadas.
Cada animal é puxado pelo cabresto (também
chamado de halter) por um apresentador e é apreciado
individualmente e depois dentro do grupo que tem a mesma
faixa de idade. Ele deve trotar e se mostrar imponente,
tem que estar atento àquilo que for solicitado
pelo apresentador e não pode ter vícios.
Os animais de montaria podem se apresentar em diversas
modalidades como as de Western, que é o andamento
dos cavalos dos caubóis, o English, no qual deve
ter andamento com as patas bem altas e pode estar montado
ou puxando uma charretinha de passeio. Também
há as provas de Apartação, de Laço,
de Trail (ou trilha), e de Traje Típico, na qual
cavaleiro e montaria se vestem com as roupas dos árabes.
São feitas competições de Hipismo
Clássico, Rural e Tambor e Baliza. Em todas elas,
o vencedor será aquele que melhor se apresentar.
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