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20a. Nacional do Cavalo Árabe
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A GRANDE FESTA DO CAVALO ÁRABE NA CIDADE MARAVILHOSA
Eram seis horas da tarde de domingo e as lâmpadas do Pavilhão 1 do RioCentro
estavam apagadas sobre a arena colorida, exceto por quatro canhões de luzes que
iluminavam o centro do picadeiro. No seu interior, os dez cavalos premiados como
Top Ten, seus apresentadores e a platéia expectante aguardavam a leitura do resultado
que coroaria o grande campeão da 20ª Exposição Nacional do Cavalo Árabe. Uma final
emocionante para a festa que durou cinco dias, de 14 a 18 de Novembro de 2001.
O casal de artistas Fernanda Azevedo e Gil Hernandez eram os hostesses cariocas
que abriram o envelope para anunciar o número 197 do garanhão importado da Polônia,
Sarmata, escolhido como o melhor dentre aqueles analisados pelos cinco juizes.
Tordilho, nascido em 1992, o Campeão Cavalo é de propriedade da família Saliba,
do Haras Ilha da Chapada, de Boa Esperança/MG. Sarmata entrou em pista já com
um currículo de peso: campeão cavalo em Campos do Jordão, Jacareí e Avaré/2001.
Criado no tradicional haras polonês Janow Podlaski, filho de Pepton e Sarmacja,
esse animal recebeu uma coroa de flores, uma faixa verde e amarela e seu
troféu de campeão. Depois das fotos, beijos, abraços e cumprimentos,
Sarmata foi acompanhado na volta da vitória pelo Reservado Campeão Cavalo,
ST Synbad, também tordilho, de 1995. Criado pelo Haras Santa Terezinha,
de Natal/RN, Synbad é hoje de propriedade de José Miguel Bulñes, do Chile.
No evento de entrada franca, o público, que incluiu visitantes de todo o Brasil,
dos EUA, da Europa e da América do Sul, recebeu sortido material sobre a cidade,
fornecido pela Riotur e circulou entre os estandes de produtos farmacêuticos, de
equipamentos de montaria, da inusitada ducha de ozônio que também serve para uso
humano, de revistas especializadas e do recém-lançado S-Type, o novo carro da Jaguar.
Além disso, escultores apresentavam suas obras de arte em madeira, com belíssimos
cavalos entalhados em bustos ou móveis. O Núcleo de criadores do Rio de Janeiro
organizou uma galeria com 17 gravuras e certificados originais, datadas do século
19, que teve grande visitação. As obras de arte retratam cavalos da raça Árabe
que foram presenteados ao Rei Luís Felipe da França pelo Emir do Egito no ano
de 1843. A princesa Cristina de Bourbon e de Orleans e Bragança é a herdeira dessas
raridades e participou da premiação dos grande finalistas na noite de domingo.
Por que o rei não usa coroa?
O príncipe D. Joãozinho de Orleans e Bragança entregou a faixa de vencedora
e reservada para as éguas CG Belle Victory do Haras Paiquerê/PR e Korynna HCF do
Haras Capim Fino/SP. As crianças que lotaram as arquibancadas para assistir as
competições de sábado quiseram tirar fotografias acompanhadas com ele, que não
se furtou aos apelos. A pequena Bruna, 11 anos, quando notou a presença real,
correu para descobrir por que ele não estava usando uma coroa. Naquele momento,
o Príncipe já havia se retirado, e a questão vai ficar para uma próxima
oportunidade. E não só a realeza foi constatar a imponência e a beleza dos
cavalos Árabe: outros ilustres lá estiveram, como o Secretário Especial
de Turismo do Rio de Janeiro, José Eduardo Guinle, o pilar da raça Árabe,
Dr. Oswaldo Gudole Aranha, o diretor de arte Paulo Diniz, a artista Ana
Paula Arósio, o ator Nelson Marques, o cenógrafo Luís Mário e a modelo
Viviane Araújo, que recebeu um potro de presente do treinador e cavaleiro
Zetão Rodrigues.
Rio de Janeiro, a Hollywood brasileira
A exposição Nacional do Cavalo Árabe reúne todos os anos criadores do Brasil
e do exterior. Pela primeira vez na Cidade Maravilhosa, o sangue Árabe festejou
sua maior mostra com provas montadas - tambores, balizas, e competições
internacionais - junto com as de conformação, que julgam a beleza e funcionalidade
do animal segundo seus padrões milenares. O corpo de juizes formado por três
brasileiros e dois estrangeiros escolheu os representantes mais expressivos
desse animal extremamente interativo, que tem sido preservado há quase 6 mil
anos em seu estado mais puro. Os 570 cavalos brasileiros e estrangeiros dividiram
o palco com as apresentações de dança do ventre da escola da professora Mariléia
Costa, as bandas de Aubrey e de Cypriani, o grupo Pegando de Surpresa da
COMLURB e, grande frisson, a bateria da escola de samba da Mocidade Independente
de Padre Miguel. A arquibancada e os camarotes lotados não resistiram ao apelo
dos ritmistas, acompanhados de passistas, da porta-bandeira Emília de Rabicó
e do mestre-sala Visconde de Sabugosa, todos liderados pela madrinha da
bateria, Viviane Araújo. Não demorou muito e os assistentes logo formaram
o bloco do Absyntho - bebida lançada pelo restaurante Alkimia Radikal que
fez sucesso inusitado - que acompanhou os sambistas até o último repique.
Sucesso
O projeto de trazer a Exposição Nacional para o Rio de Janeiro era antigo,
mas veio finalmente concretizar-se pelas mãos do atual Presidente da Associação
dos Criadores do Cavalo Árabe, Eduardo Caio. Ele comandou uma equipe organizadora
formada basicamente de criadores para montar toda a fantástica e detalhada
estrutura do evento, que envolveu desde a colocação de baias, da pista de areia,
das atrações artísticas, da distribuição de água, até a disposição diplomática
das bandeiras de países e estados. O know-how importado de São Paulo foi do
Doutor Cláudio Ângelo dos Santos da ABCCA, que instalou-se no Rio uma semana
antes e foi realmente incansável, trabalhando com o apoio da administração
do RioCentro. A organização passou com louvor pelas turbulências que os
ataques terroristas causaram, aliados ao antraz e à gripe eqüina que
ameaçou a realização da festa. Problemas finalmente superados, foi com
galhardia que a Banda Marcial da Guarda Municipal oficializou a abertura
da exposição no dia 14.
Bastidores, arquibancada, corredores e camarotes
O público diário de 2500 pessoas que circulou pelo parque incluiu enduristas,
apreciadores da raça, famílias inteiras, curiosos, além dos treinadores,
tratadores, veterinários, comerciantes ligados à indústria do cavalo, até
criadores de outros eqüinos como Leandro Santos da Fazenda Lago Azul. Do lado
de fora, o policiamento contou com a Guarda Montada Municipal que usou os cavalos
Árabe gentilmente cedidos pelo diretor de Exposições da ABCCA, Ricardo Saliba.
Onde quer que se passasse era possível escutar pessoas conversando em inglês,
espanhol, alemão, francês e português, este com sotaques variados como o paulista,
o mineiro, o goiano, o mato-grossense, o paranaense e o cearense.
O cinegrafista
Luciano filmou toda a exposição e colocou fitas à disposição dos interessados
em levar para casa as recordações do grande movimento que tomou conta do
RioCentro durante os cinco dias da Nacional. A locução do evento ficou por
conta de Luís Fernando Monzon, cuja narração da lenda do cavalo Árabe
emocionou a mais nova criadora carioca Ivonne Argimon. Além disso, coube
a Monzon anunciar os quatro felizardos sorteados para passar um fim de
semana nos hotéis Marina e Excelsior. A iniciativa foi do Núcleo de criadores
do Rio, que ofereceu esses prêmios para aqueles que preencheram uma
ficha de cadastro. Enquanto isso, Oscar Filho, 6 anos, deixou seus pais
insones enquanto não teve confeccionado um terno cinza para vestir
junto com gravata e um número pregado às costas, igualzinho aos
apresentadores dos cavalos.
Qualidade e Prestígio
Na Exposição Nacional sempre ocorrem oportunidades para que os criadores
reciclem seus plantéis e/ou ofereçam o que de melhor produziram, seja em vendas
diretas ou em leilões com animais selecionados. Este ano, o tradicional leilão
"Invitational" aconteceu na Sexta-feira e teve como recorde a égua Elusive Drreams,
criada nos EUA para onde retorna, uma vez que foi arrematada por Francisco Rego
para o haras da Ventura Farms na Califórnia. No Sábado, o primeiro leilão
"Arabians in Rio" teve duas recordistas, ambas de criação brasileira: a égua
Nagillah HVP que agora pertence ao Haras Triple G Stud Farm de Goiás e a
potranca Madinah van Ryad, adquirida pelo Haras Itajahy de Santa Catarina.
Nagillah e Madinah atingiram, cada uma, o valor de R$ 21.000,00.
O cavalo
Árabe é criado regularmente em 64 países e o Brasil é o terceiro maior criatório,
com 40 mil Puros Sangue registrados, e um dos maiores exportadores do mundo.
De qualidade reconhecida internacionalmente, comprovada pelas premiações
obtidas nos EUA, na Europa e na América do Sul, nos últimos dois anos foram
vendidos para fora do país, 195 animais, ultrapassando a marca de dois
milhões de dólares em vendas. A criação brasileira, segundo a Associação
de Criadores de Cavalo Árabe, é composta de 3.500 haras, com 3.000 cavalos
produzidos por ano, 82.500 hectares de área utilizada, 17.500 pessoas
empregadas e 5.180 tratores. O universo eqüestre brasileiro emprega, de
acordo com dados do IBGE, mais do que a indústria automobilística. No ano
de 2000, apenas no estado do Rio, foram protagonizados 92 leilões de
cavalos. O Árabe é fator de peso dentro dessa economia, já que a atividade
consome rações, farmacêuticos, cosméticos, produtos esportivos, entre
outros, gerando receita e milhares de empregos indiretos.
Somatório e Resultado
Ao final, unanimidade na apreciação do resultado: sucesso. Que não teria sido
possível se um grupo de pessoas e empresas não tivesse se unido e acreditado no
potencial da raça. É impossível listar todos os nomes dos envolvidos na realização
dessa 20ª Exposição. Foram empresas como a Planeta Brasil, agência de turismo,
a TAM, a Unimed, a CR Design de Renato Caldas, o escritório de Rosana Zimbardi,
a Marcolab, a Scarparella e a montadora Pafil, entre outras. Ou mesmo
indivíduos que vestiram um sorriso e a camisa do cavalo Árabe como a criadora
Fernanda Ramos, que dividiu tempo e dedicação ao trabalho com a família e
seu potro que estreou na pista de uma Nacional. Mesmo que muitos não tenham
levado prêmios para casa - são só 12 os campeões! - estão todos de parabéns.
Foi uma bela festa que coroou o árduo (mas prazeroso) caminho de preparação,
cuidado e engajamento no aprimoramento do cavalo Árabe. As despedidas
incluíram sorrisos, abraços, lágrimas e muitas saudades da cidade do Rio
de Janeiro, que comprovou mais uma vez seu espírito acolhedor e da qual
alguns jovens visitantes partiram com o coração sangrando (não é, Beto?).
Até o ano que vem e um feliz 2002.
Um camarote badalado na Nacional
Os haras Santa Chiara/MG, Vale Formoso/SP, Fazenda da Paciência/RJ e Namahê/RJ
receberam em grande estilo os visitantes da exposição. Com simpatia, torcida e
acolhimento de coração aberto, esses criadores colecionaram mais de 13 tops, 4
terceiros lugares, 3 segundas colocações, 3 prêmios de primeiro lugar e um
campeonato em performance.
Quer saber como participar e contribuir para a realização da próxima
Nacional?
Em caso de interesse, não hesite: entre em contato com Claudio Ângelo dos Santos na Associação de Criadores.
Telefone: (11) 3673 1744
Fax: (11) 3673 1448
E-mail claudioexpo@abcca.com.br
E-mail cfhny@namahe.com.br
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